segunda-feira, 28 de setembro de 2009



É quando fecho a porta de casa, rodando a chave por três vezes, que me permito respirar fundo. Encostado à porta, vou escorregando até me sentar no chão, pousando de leve a cabeça sobre a porta que me separa do imenso mundo lá fora. Cansado, acabo por perceber que, inevitavelmente, a solidão me leva a um outro mundo, o meu. O cansaço leva-me a afastar-me do mundo real e sou incapaz de controlar o que do inconsciente foge para o consciente - e o nosso id é o nosso animal selvagem. Os pensamentos que freneticamente circulavam pela minha mente antes de entrar em casa dão lugar a outros menos ávidos, a outros que desconhecia já. Tinham morrido, ressuscitaram. Fecho os olhos. Mas não resulta. É então que apareces à minha frente. Levo as mãos à cara e ao cabelo. Puxo os cabelos e liberto sensações arrepiantes de medo. Apareces como um desejo, e a cada pensamento, mais esse desejo avulta. Os espasmos mentais chegam a atingir proporções que me levam a transpirar por em ti pensar. Já há tanto tempo que não te pensava assim... A ligeireza dos pensamentos que tinha trazido da rua é substituída pela presteza das emoções, que emergem em convulsões das profundezas do meu coração, dilacerando a barreira que imponho ao meu comportamento junto das outras pessoas.

Enfim... :(

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